Quarta-feira
12 de Dezembro de 2018 - 
Experiência, comprometimento e Segurança.

VIJ-DF recebe Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas

A Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (VIJ-DF) recebeu, nesta quinta-feira, 29/11, representantes da Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (ABRAFH) para uma conversa sobre questões que afetam e preocupam essas famílias bem como para partilha de experiências. O encontro foi agendado a partir da solicitação da própria ABRAFH, feita por meio de ofício encaminhado para a Seção de Colocação em Família Substituta da Vara (SEFAM), no qual elogia o trabalho realizado pela equipe de psicólogas que atuaram nos grupos do curso de preparação para adoção no último mês de outubro. A entidade chama a atenção para a acolhida de crianças LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais). “Que essas crianças e adolescentes encontrem um lar condizente, que os acolha de forma plena, sadia, respeitosa e compreensiva, sem que precisem esconder sua condição para continuar sendo aceitos”, disse Emerson Gonçalves, diretor de Relações Institucionais da Associação. Segundo o diretor, o processo de sensibilização realizado pela equipe psicossocial da VIJ-DF nas adoções contribui significativamente para este propósito. “Se a família, que é a nossa base, não nos der amor e proteção, como vamos conseguir isso em outros meios?”, questionou Melissa Massayury, representante da ONG Ultra (União Libertária de Travestis e Mulheres Transexuais), ao falar da preocupação e da importância de se identificar e proteger as pessoas transexuais desde a infância, para que sejam integradas à sociedade sem violência e preconceito. “O que se deve ter é um respeito à persidade”, completou Lua Stabile, também da Ultra. O diálogo foi acompanhado também por Jef Oliveira, do coletivo LGBT Corpolítica. A ABRAFH reforçou a relevância de se manter um ambiente propício e acolhedor às pessoas LGBTI que procuram a VIJ-DF, uma vez que muitas delas têm receio de que preconceitos existentes na sociedade possam ser reproduzidos. “Estamos certos da importância da VIJ-DF na redução do preconceito e na construção de uma sociedade mais acolhedora, fraternal e persa”, afirmou Emerson. A questão do preconceito, da violência e da falta de conhecimento em relação às pessoas LGBTI foi lembrada também pelos demais participantes do encontro com profissionais da Justiça Infantojuvenil. Na reunião, o assessor técnico da VIJ-DF, Eustáquio Coutinho, ressaltou a preocupação da Vara em acolher todas as pessoas com respeito e igualdade. “A VIJ-DF foi uma das pioneiras no deferimento de adoções por famílias homoafetivas no Brasil”, lembrou. O assessor levantou a possibilidade de realização de rodas de conversa com as entidades de acolhimento para falar acerca da situação de crianças e adolescentes LGBTI que se encontram acolhidos. A supervisora substituta da SEFAM, Niva Campos, trouxe ainda a questão de se trabalhar a autoestima desse público institucionalizado. A VIJ-DF também foi representada no encontro por psicólogas da SEFAM, da Seção de Atendimento à Situação de Risco e do Centro de Referência para Violência Sexual Infantojuvenil; pela assessora substituta da Coordenadoria da Infância e da Juventude, Karla Guimarães; pela supervisora da Seção de Fiscalização, Orientação e Acompanhamento de Entidades, Vânia Sibylla; e pelo supervisor substituto da Rede Solidária Anjos do Amanhã, Reginaldo Ferrari, que falou do trabalho social e de voluntariado da Vara e da importância da persidade das parcerias para o atendimento às crianças e aos adolescentes vinculados à VIJ-DF. Mônica Monteiro, coordenadora no Distrito Federal do coletivo nacional Mães pela Diversidade, falou da campanha “A criança LGBT existe e eu tive uma”, iniciada pelo grupo este ano. Ela afirma ser preciso defender a existência dessa criança e protegê-la. “Estamos vivendo uma quebra de paradigma muito grande, e as pessoas ainda não estão preparadas para lidar com o que vem pela frente. O conceito simples de homem e mulher ficou para trás”, refletiu Mônica. Ela ponderou ainda ser preciso que a sociedade aprenda a lidar com essa nova persidade, nova construção do que é humano, do que é a sexualidade humana. O encontro contou ainda com os depoimentos de Marlene Oliveira, Katia Paiva e Hamilton Nogueira, associados da ABRAFH e pais de transexuais, que partilharam suas histórias e experiências vivenciadas com seus filhos. Eles falaram das dificuldades enfrentadas e de como acolheram e ajudaram seus filhos na descoberta da transexualidade. “É um processo que envolve toda a família”, disse Katia Paiva. Marlene Oliveira compartilhou com os presentes um texto de sua autoria, além do seu depoimento como mãe de transgênero. Leia abaixo a íntegra do texto.   Sentir-se diferente Sentir-se diferente é ter que lutar contra tudo que a sociedade espera de você. A realidade que se apresenta é que as pessoas nascem com suas características, sendo algo inato e não escolhido. Ao não serem aceitas e compreendidas, sofrem a ponto de adoecerem seriamente das emoções: 46% das pessoas transgêneras com menos de 24 anos já tentaram suicídio. A ABRAFH trabalha para promover a ética, a paz, a cidadania, os direitos humanos, a democracia, o respeito à persidade, à solidariedade e outros valores universais e, para tanto, busca o diálogo com a sociedade nos seus persos setores. Valor universal determina fraternidade e respeito aos nossos semelhantes. A boa vontade é o nosso recurso de cada hora. Ser transgênero é assim, Quando você se apercebe, Busca fugir de si mesmo, É algo que não se concebe. Neste embate tão certeiro, Vem surgindo a depressão, Trazendo novas ideias, Como a depreciação. É preciso agir depressa, Buscar sua solução Pra que a felicidade Esteja na construção. Construção de ser você Na arquitetura da vida. Toda vida é preciosa, Deve ser bem resolvida. Toda família merece proteção! Marlene Oliveira Saiba mais A ABRAFH é uma entidade da sociedade civil organizada que reúne famílias na busca pelo reconhecimento social e pela proteção de seus membros, unidos pelo sonho da construção de uma sociedade que respeite a persidade no mais amplo sentido e que possua leis de amparo específico. A ABRAFH cresceu bastante nos últimos anos e já registra mais de 1,3 mil associados em todos os estados brasileiros e no exterior, com dezenas de famílias residentes em Brasília.  A ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) estima que a população LGBTI brasileira representa 20 milhões de pessoas.
30/11/2018 (00:00)
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